Quer um Conselho?

A necessidade da formação de um “Conselho Municipal de Cultura” em Rio Claro, vem há tempos sendo debatido, mas parece enfim estar maduro e pronto para se tornar realidade. Ao longo do tempo tivemos inúmeras tentativas, até porque mais do que uma vontade, a consolidação dessa ferramenta de participação está prevista há mais de 20 anos em nosso “Plano Diretor”, além de também ser citada na “Lei Orgânica do Município”. Sem o devido sucesso alcançado no decorrer dos anos, aumentaram ainda mais os anseios populares por esta tão nobre causa.

É fato que de 4 anos para cá os debates sobre conselho e demais mecanismos de política cultural ganharam peso significativo. A partir de uma iniciativa do articulador Binho Riani Costa Perinotto, do Centro de Voluntariado de Rio Claro (que tem acompanhado a construção do Sistema Nacional de Cultura através da rede Nacional de Pontos de Cultura) se articulou uma rede. Começou com debates e estudos virtuais e depois se tornou um movimento capaz de contribuir com estudos e propostas essenciais para chegarmos às vias de fato na consolidação de propostas que constituirão o Sistema Municipal de Cultura. Vale lembrar que hoje, o Ministério da Cultura exige a criação de um Sistema Municipal de Cultura par adesão ao Sistema Nacional de Cultura (SNC). Toda a distribuição de recursos financeiros e técnicos deste Ministério estará direcionada para os municípios que aderirem ao Sistema Nacional, como é com o SUS na saúde e o SUAS na assistência social. Além do conselho será necessário ainda criarmos um plano decenal e um fundo específico para a cultura para captação e direcionamento transparente dos recursos aos projetos. Outras duas etapas Rio Claro já cumpriu, que são a criação da Secretaria de Cultura e a realização da “Conferência de Política Cultural”, realizada no final do ano passado. Por este motivo a criação do Conselho se faz tão importante nesse momento, restando apenas mais dois passos para que cumpramos todas as etapas par adesão ao SNC.

Dentro deste processo mais recente tivemos na quinta-feira 10 de Maio de 2012 talvez a última reunião formal junto ao legislativo antes que projeto, que já está na câmara, seja votado pelos nossos vereadores. Após ampla divulgação por diversos meios, cerca de 10 pessoas ligadas ao Movimento ArteCultura foram recebidos pela bancada do PT e puderam analisar e aparar possíveis arestas em relação ao texto final encaminhado pelo executivo. Sem grandes alterações, até porque o projeto de lei enviado foi fruto de muito empenho e trabalho em uma relação participativa entre governo e sociedade civil organizada, pudemos enxergar um avançado instrumento de controle social cada vez mais próximo de ser concretizado.

Quando falamos de cultura estamos falando das manifestações da população de Rio Claro. Estamos falando nos modos e jeitos de ser e estar no mundo. Nas visões que temos de sociedade e na sociedade que queremos ter. É fundamental termos políticas públicas que estimulem a produção e a circulação das produções artísticas do nosso povo, sem falar da formação cultural para o surgimento de novos artistas. A criação precisa ser livre, portanto o Conselho deve ser o mais democrático possível. A maior agonia do Artista é ver sua Arte ser direcionada por interesses do Mercado, ou do Estado. O papel do conselho é garantir condições para uma produção livre, autônoma da sociedade. É por isso que temos que acompanhar de perto a tramitação deste projeto na Câmara de Vereadores para que o projeto seja votado logo e do jeito que foi construído nos inúmeros debates pelos fazedores de Cultura.

Camilo Cazonatto Riani Costa

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Fulni-o em Rio Claro

Na noite do dia 05 de Abril de 2012, tive a felicidade de ter contato com uma rica experiência no saguão do centro cultural. Lá estavam 5 membros da tribo Fulni-o, presente no agreste meridional de Pernambuco, difundindo sua cultura, seus costumes e comercializando objetos artesanais produzidos pela comunidade. Cerca de 20 pessoas estiveram presentes ao evento, e o agradável clima do ambiente demonstrava que apesar do número reduzido de pessoas, sempre será incrível a força proporcionada por essa troca cultural que eles propuseram a nós rio-clarenses.
O vídeo que coloco a seguir, trata-se de uma música/dança criada pelo líder Tatxhiyá Fulni-o, em homenagem a esta curta visita a Rio Claro e apresentada em primeira mãos aos presentes no local. O áudio não é dos melhores, pois o vídeo foi feito do celular, mas acredito que seja possível ter uma noção do quanto emocionante foi para nós que ali estivemos.
Transcrevo também a fala do Tatxhiyá que fez questão de ressaltar ao longo de todo o encontro, a gratidão que sentiu pelo acolhimento de alguns de nós munícipes da cidade azul, com por exemplo o Binho que fez um “corre” com ele para cima e para baixo, agregando muito valor e reconhecimento à vinda do indígena a nossa cidade, o Tiago e a Marta, ambos da Secretaria de Ação Social e o Curinga, representante da Secretaria de Cultura. Parabéns pelo esforço de todos, na busca pelo auxílio aos nossos irmãos índios e por consequência a todos nós que tivemos a oportunidade de conhecer mais uma parte da vasta multiculturalidade presente em nosso imenso Brasil.

OBRIGADO!

“Escutem meus irmãos brancos. Nós índios, viemos de muito longe, viemos dançar e cantar em Rio Claro. Com a força do nosso Pai criador, nós viemos cantar e dançar, para que nossos irmãos brancos conheçam um pouco da nossa cultura. A gente fala para o criador né… qualquer pessoa, e nós pedimos ajuda às pessoas que tem conhecimento. Nós não temos conhecimento totalmente daqui. Tô conhecendo um pouquinho por causa do meu amigo ali, Curinga, Tiago, Fabinho que é… todos estão no meu coração. Tudo que faço aqui faço com todo o prazer, pedindo a Deus muita saúde, vindo saúde e felicidade, pra todo mundo, todos os presente aqui. Porque estão nos apoiando, nos apoiando demais, estão dando o ombro pra gente encostar a cabecinha.”

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“TODO CORAÇÃO É UMA CÉLULA REVOLUCIONÁRIA”

Hoje pela manhã fui contemplado com essa bela reflexão que utilizo como título desta singela homenagem. Ela está estampada no paredão da rua 3B, quase esquina da Av. 8, e apesar de já estar um tanto desgastada, saltou diante dos meus olhos como se quisesse me alertar sobre algum fato importante. Pois bem, para minha surpresa ao chegar em meu escritório fico sabendo que desde 1988, em todo dia 27 de Março é comemorado o Dia Nacional do Graffiti.

Resolvi então aproveitar a sincronicidade ofertada e elaborar um pequeno texto enaltecendo essa cultura urbana que nos dá o prazer de observar, através das suas cores, formas e mensagens, uma bela e constante revitalização espacial que se faz cada vez mais necessária nos ambientes de nossas cidades. Através do graffiti, milhares de pessoas passam a ter a oportunidade de apreciar gratuitamente verdadeiras obras de arte a céu aberto, fazendo dos olhos uma nova janela para um mundo de possibilidades e conexões. Eis o papel social das artes sendo muito bem representado pelos artistas do spray.

Nas últimas semanas, tive o imenso prazer de acompanhar de perto uma intervenção lá no Centro de Voluntariado, executada pelo Leo DCO Patrocínio e é através dele que saúdo a todos os grafiteiros que fazem dos muros, paredes e vagões de trem, um atrativo visual para uma paisagem com mais vivacidade e consciência. Pegando carona amplio os parabéns a todo o movimento Hip Hop, cujo graffiti é um dos seus elementos essenciais na luta pela inclusão social da população das periferias.

Por fim, fica em mim o desejo de que cada vez mais essas mensagens artísticas disseminadas pelas ruas gerem nos cidadãos o sentimento de cumplicidade e companheirismo, despertando dentro de cada um a vontade de ter sempre mais locais transformados pela arte e que ganham um papel transformador enquanto cultura aplicada do local. Que cada coração possa colocar em ação sua porção revolucionária, tão carente de motivações nos dias de hoje.


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MANIFESTO – Ser Urbano

No momento em que, por direito, a vanguarda se resguarda num passado não distante, se faz necessário ampliar o coro e amplificar a voz daqueles que buscam, nas entranhas de ruas e avenidas de asfalto, um espaço respeitável e público. São os seres urbanos de infâncias comprimidas, juventudes recolhidas, adultos espremidos e idosos deprimidos… BASTA!
As tendências que procuram nos cercar e as ideologias que desejam afastar, resvalam no caminho da contramão, o anseio do convívio e das interações. A multiplicidade é colocada e se aloca na pluralidade espacial que compõe nossas cidades. Não podemos conservar o que temos de mais individual para garantir uma falsa sensação de segurança e nos privar de nós mesmos. Somos seres coletivos, uma massa batalhadora que supera as dificuldades na união e na partilha de nossas ideias e de nossos ideais. Chega de minorias ditando regras e dizendo o que podemos ou devemos fazer.
Devemos expor nossos conflitos, pois é na democracia que encontramos este espaço de dissenso. Mas que nossos pré-conceitos tornem-se ínfimos a ponto de serem superados pelo progresso que abre caminho aos nossos direitos à cidade. A pista de skate, por exemplo, se faz mais que necessária, mas ela por si só não basta. Quem se lembra do recente episódio da pista de “Mountain Bike”? Quais as desculpas encontradas para inviabilizar tal projeto? Desde a poeira até a vontade enrustida da necessidade do “não nos misturarmos”, passando pelos “nóias” e “maconheiros”, deram subsídio e ditaram o tom da batalha estética que se formou ao longo da Avenida Brasil. E lhes digo, não será diferente com o skate. Reitero os aplausos ao movimento criado e tenho certeza que trará benefícios a toda população. Porém, vocês, mais do que ninguém sabem da hostilidade com que o estilo diferenciado é tratado. Minimizou com o passar dos anos, tenho certeza que sim, mas bastará uma brecha para inviabilizar a visibilidade da estrutura que está sendo reivindicada.
Uma guerra civil está estampada nas diferentes roupas, acessórios e músicas, e tem pautado uma verdadeira e injusta peregrinação de uma juventude periférica que saiu das margens urbanas, passou pela estação, deslocou-se para o shopping, procurou respaldo na praça da Santa Cruz que por sua vez está sendo encarcerada, obrigando-os novamente a traçarem rotas de ocupação em busca de um pouquinho de descontração. Aos olhos de uma elite auto carcerária, todos são bandidos, drogados e perigosos e por isso devem ser expulsos e se possível exterminados.
O que será de nós rio-clarenses com as grades visíveis e invisíveis que buscam garantir as rédeas da situação? Que cidade estamos construindo para os nossos filhos? Onde queremos chegar com tudo isso? De lógica binária, já basta nosso trânsito. Vamos avançar.
Defendo o plural, o descentralizado e o acessível. Sejam pistas, palcos, vias ou praças. Acima de tudo defendo a apropriação dos meios pela população. Sou pelo convívio, pelo respeito, pelas interações e pela participação. Quero um povo criativo que encontre no espaço público a sua forma de expressão cultural. Em prol da diversidade, do esporte, das artes, da música, do grafite, das caminhadas fotográficas, das serestas, dos skates, das bicicletas, das escolhas e das opções.
Sou ser urbano, rio-clarense!

MANIFESTO – Ser Urbano

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Varinha de Condão

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Gaiola

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Relembrando: Pré-Conferência de Comunicação e Cultura Digital

Lembrei deste vídeo feito e publicado pelo amigo Netto Marchiori onde coordenei a Pré-Conferência de Comunicação e Cultura Digital que fez parte da programação da I Conferência Municipal de Políticas Culturais de Rio Claro.
Compondo a mesa, a presença do companheiro das batalhas digitais, Júlio Cesar Pedroso, e do ilustre jornalista e editor da revista Fórum, Renato Rovai.
Parte 1
Parte 2
Parte 3

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